Todos nós temos um sonho. Cada um tem o seu sonho, mas todos nós temos um sonho. Todo carioca tem um sonho oculto, todo carioca desde criança tem o sonho de que nevasse no Rio de Janeiro! Não tem neve? Mas tem enchente. Não tem neve? Mas tem alguns granizos de vez em quando. Não tem neve? Mas tem alguns ventos fortes que levam as suas telhas. Só assim sentimos um pouco como é viver em um país de primeiro mundo.
Quando eu era criança eu vivia imaginando como seria se no Rio de Janeiro nevasse. Eu imaginava o “valão” da esquina da minha casa congelado, o gelo seria poluído e com alguns ratos congelados, mas pelo menos não teria aquele cheiro de fossa. A minha rua esburacada e sem asfalto, estaria toda coberta de neve. As crianças não brincariam mais com a lama do buraco que a CEDAE deixava aberto, e nem brincariam de tacar pedra uma nas outras. Elas brincariam de guerra de bolas de neve! que legal que seria! Imaginava todos os adultos andando para o boteco do gaucho pra tomar umas cachaças para esquentar um pouco. As aulas seriam suspensas, mas não pelo motivo de tiroteio, ou falta de professores. Seriam suspensas por causa da neve e porque a rede publica não iria ter verba pra bancar chocolate quente na merenda escolar.
Mas também teriam os seus problemas. Os prefeitos, deputados, governadores, Toda essa raça ruim teriam mais motivos para adiar promessas e obras. Como a mendigada iria sobreviver a esse frio? Os jornais e papelões não iriam adiantar. A dona Teresa iria perder seus lucros com os sacolés que ela vendia!
Mas como isso não pode se realizar, a única coisa a se fazer e se contentar com o inverno fraquinho do Rio de Janeiro. Mas nesses dias esse frio no Rio de Janeiro me surpreendeu. Em um belo dia, eu e o meu primo, estávamos sentados em uma praça quando ele boceja e derrepente ele me chama:
-Primo! Olha primo.
-O que foi cara?
Ele começa a soprar no ar e ai surgiu aquela fumacinha. Tive que rir pra caraca!Toda hora ele me chama e ficava soprando e rindo com a fumacinha. Ele não estava fumando um enroladinho de maconha. Ele estava fazendo fumacinha com o seu bafo no ar frio. E todo hora ele me chamava. “Olha primo, olha!” e fiquei eu e ele que nem uns babacas “bafando o ar”. Bom foi o mais próximo e ridículo que nós chegamos de um inverno!

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